
Por momentos fecho os olhos e concentro-me apenas no som da respiração.
Sinto o bater do coração, um ritmo em mim antigo e ainda assim tão assombrosamente espectacular.
Quando é que deixei de me maravilhar com a vida em mim?
Acostumei-me a viver pelos outros, por razões que já nem eu recordo e deixei de lado a minha vontade, o meu encantamento.
É preciso lembrar-me de fechar os olhos por momentos e sentir-me, sentir-me no mundo, sentir-me na vida e não apenas sentir o que me é exterior.
Sim... a brisa que me toca é importante.
Sim... o calor do sol que me envolve é real.
Mas o que é real em mim?
O que é que me toca e me envolve, que aspirações, que desejos, que loucuras me percorrem?
Parei de me sentir, fiquei dormente em mim e fechei-me.
Mas cada vez que fecho os olhos, por momentos, momentos de encantamento, sinto o sangue nas minhas veias e uma voz que grita em mim e me orienta.
Sinto-me eu, a criança, a mulher, esta que respira e ama e sente e chora.
Sou eu!
Vivo!