domingo, 4 de novembro de 2007

Lembrança


És um mistério para mim.

És profundo como o mar e suave como a brisa.

Tens alegria na voz, tens luz no olhar e melodia nos gestos que fazes. És o meu sonho.

Estás entranhado em mim como os ossos que me sustentam e, ainda assim, estás tão longe!

Sei que em nada és parecido com a imagem que guardo, mas como evitar amar-te assim?

Passo dias sem te lembrar, mas num segundo que vem sem avisar o meu ser enche-se com a tua lembrança, com o teu respirar e eu passo a ser tua.

Sou o ar à tua volta, sou cada átomo que te envolve.

E fico neste torpor durante o tempo de um sonho... até ao acordar.

sábado, 20 de outubro de 2007

Parabéns Rita!


Sê fiel a ti mesma.

Ouve a voz interior que te sussurra.

Sê sincera, verdadeira, leal.

Grita a plenos pulmões a imensa alegria de estar viva.

Sonha, nunca percas a capacidade de sonhar, por mais dura que seja a realidade.

Luta, veste a armadura de guerreira e enfrenta os medos e a escuridão e aprende a despir essa armadura nos momentos de ternura.

Respeita o teu próximo e tem a humildade necessária para aprender com os outros as lições da vida.

Saboreia os dias como um doce, bebe a vida em tragos profundos e deixa-te inebriar com o seu odor.

Nunca deixes que o dia termine sem teres sorrido pelo menos uma vez.

E acima de tudo, ama, ama sem medo, com a inocência da criança e com a sabedoria dos anos.

Sê feliz!

Lembra-te que para perceberes o que é a felicidade terás de experimentar a tristeza. Não te assustes, aceita-a, pois faz parte do ensinamento.

Enfim...

Amo-te, não com a força das palavras, mas com o silêncio dos meus lábios.

Amo-te, não com músicas e letras de outros, mas com o bater do meu coração.

Amo-te... sempre.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Gritar


Há alturas em que sinto uma enorme, imensa e incontrolável vontade de gritar.

Encher os pulmões e expulsar os demónios que trago presos dentro de mim. Como se expirando ruidosamente exorcizasse os sentimentos e mágoas que se alojam na minha alma.

Expressar aquilo que sinto num repente doloroso e cruel, mandar à fava as convenções e tratados de boa educação, ser toda eu num ruído solene, travar em palavras os duelos que travo em mim, de mim, por mim.

Expulsar o drama para alcançar a paz, o sossego, e poder finalmente desfazer este nó perpétuo na minha garganta que me atrofia e impede de viver.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Saltar no vazio


Ter esperança é acreditar.

Acreditar que algo de bom surgirá de toda a trapalhada que é a vida.

Acreditar que tudo tem um sentido, uma razão válida que acalma a ânsia a dúvida.

Acreditar que todos os erros têm solução, que todos os pecados têm perdão, que a seguir a cada lágrima haverá sempre um motivo para sorrir.

Ter esperança é sonhar.

Sonhar com dias melhores, com a subida depois da queda.

Sonhar que sairemos reforçados de toda esta luta diária.

É a esperança que nos dá coragem para levantar cada dia, para enfrentar os obstáculos que nos aguardam a cada esquina.

É ter medo e ainda assim tentar, saltar de braços abertos no vazio, fechar os olhos e esperar pela aterragem.

foto: http://www.flickr.com/photos/marzmyst

Ser humilde


Devemos ser suficientemente pequenos para olhar um céu estrelado e ficar encantados com a sua beleza.

Devemos ser suficientemente pequenos para sentir humildade perante a formiga que carrega o fardo para a colónia.

Devemos ser suficientemente pequenos para que um sorriso de uma criança nos deixe maravilhados com a sua inocência.

Temos de ser suficientemente pequenos para perceber que somos únicos, especiais e tão integrados neste mundo colectivo. Somos dependentes de todos os que nos rodeiam, só existimos se tudo o resto existir.

Sozinhos somos nada.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Matrix style

Acaso vivemos ou somos apenas personagens animadas do sonho de alguém? Temos vida própria ou quem nos guia é um comando superior, sem rosto, sem corpo?
O que vemos é real ou informação implantada em nós para nos permitir acreditar que deveras vivemos e temos uma história?


Provavelmente não existimos, somos desenhos num papel de um artista, rabiscos, simples rascunhos incompletos que, quando não estão bem, são deitados fora. Isso explicaria a inconstância da vida, o ridículo, o absurdo dos momentos.


Temos um objectivo se pertencermos a um enredo. Estamos perdidos à deriva se formos apenas um borrão de tinta na tela, arte contemporânea e abstracta.


Talvez seremos concorrentes forçados e ignorantes num reality-show, presas numa teia bem montada com o único objectivo de ganhar audiência. Quem é o grande Mestre?


Prefiro acreditar no livre arbítrio, acreditar que quando o sol brilha está mesmo a brilhar e que quando chove a água que cai molha e é real.


Vontade de viver


Tenho ainda tanta vontade de viver!

O fracasso parece ser o sabor que trago preso na garganta, junto com o grito que não expulsei.

Mas tenho ainda tanta vontade de viver!

Lentamente sinto-me despegar desta existência, como se uma barreira se erguesse à minha volta.

Vejo os rostos dos outros, os seus lábios moverem-se em conversas banais, mas a voz que escuto é a minha.

Parecem figuras de um filme mudo que deixam de fazer sentido a minha realidade. Estou a ficar fria, endurecido e não é algo que me deixe feliz!