terça-feira, 10 de junho de 2008

Momentos de encanto


Por momentos fecho os olhos e concentro-me apenas no som da respiração.

Sinto o bater do coração, um ritmo em mim antigo e ainda assim tão assombrosamente espectacular.

Quando é que deixei de me maravilhar com a vida em mim?

Acostumei-me a viver pelos outros, por razões que já nem eu recordo e deixei de lado a minha vontade, o meu encantamento.

É preciso lembrar-me de fechar os olhos por momentos e sentir-me, sentir-me no mundo, sentir-me na vida e não apenas sentir o que me é exterior.

Sim... a brisa que me toca é importante.

Sim... o calor do sol que me envolve é real.

Mas o que é real em mim?

O que é que me toca e me envolve, que aspirações, que desejos, que loucuras me percorrem?

Parei de me sentir, fiquei dormente em mim e fechei-me.

Mas cada vez que fecho os olhos, por momentos, momentos de encantamento, sinto o sangue nas minhas veias e uma voz que grita em mim e me orienta.

Sinto-me eu, a criança, a mulher, esta que respira e ama e sente e chora.

Sou eu!

Vivo!

quinta-feira, 13 de março de 2008

De volta às origens


Não me quebram ventos e marés.

Não me quebram falsos sorrisos nem maneiras enganadoras.

Não me quebram as barreiras que se erguem.

Não me quebram os silêncios das bocas.

Continuarei a levantar-me, a caminhar de cabeça erguida, perseguindo os objectivos, deixando-me guiar pelo alento da verdade.

Não me quebram as censuras e olhares de reprovação.

Não me quebram as palavras maliciosas.

Sigo em frente, caio, levanto-me e sorrio, porque sorrir desarma os fracos e engrandece os fortes.

Sorrio para todos aqueles que me tentam quebrar e penso: "sou muito mulher, sou eu, sou quem importa, sou o ponto de partida e de chegada de mim mesma".

Vivo um dia de cada vez como se diz por aí... como se fosse possível vivê-los dia sim dia não!

Saboreio o presente, olho para o passado para tirar as lições que me são devidas e tento não planear o futuro em grande extensão.

Tento que todos os que me rodeiam percebam sem dúvida que os amo, que são parte de mim. Não quero que nada fique por fazer, não quero deixar isso para depois.

Talvez não use a palavra amor muitas vezes, mas acredito que no silêncio cúmplice também há amor, que num sorriso há amor e que também há amor num abraço.

Falo melhor por gestos que com palavras.

É a linguagem mais honesta, é o que há de mais verdadeiro em nós

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Audácia de tentar


Coragem é ter medo e ainda assim arriscar...

Coragem é sorrir quando perdemos...

Coragem é cair e levantar para continuar a caminhada...

Coragem é aprender com os erros e tentar mais uma vez...

Coragem é ter sofrido na pele a derrota e ainda assim, redobrar as energias e começar de novo.

Somos grandes.

Somos únicas.

Somos assim...

Só perdeu verdadeiramente quem não tentou.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

3 Flores


Sou a essência do sonho.

Levo em mim a esperança, levo a vontade de ir mais longe, levo a emoção de abrir asas e voar.

Sou a essência do sonho.

Levo coragem, levo respeito, sinto em mim a força de um guerreiro.

Sou a essência do sonho.

Levo comigo três flores, levo em mim a vitalidade dessas almas que anseiam pelo futuro.

E espero...

Espero que o sonho se torne realidade e o amanhã esteja apenas à distância de um passo audaz.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Natal


O Natal não são as prendas, nem o homem de barbas brancas e rosto rosado...

O Natal é o cheiro a filhozes que paira no ar, é o calor do forno, é o sorriso da minha mãe e o brilho no olhar daqueles que se reunem mais um ano para celebrar um nascimento.

Não sei se é o nascimento de cristo, mas para mim é o celebrar do renascimento da família, o começar de novo, o colocar para trás as tristezas e disfrutar da companhia daqueles que realmente amamos.


Feliz Natal!!

domingo, 11 de novembro de 2007

Não há acasos

Nada acontece por acaso.

Tudo faz parte de um plano maior.

Estamos destinados a cruzar-nos com pessoas que têm uma função na nossa vida.

Cada plavra é dita no momento certo.

Cada gesto é feito quando tem de ser mostrado.

Essas pessoas passam por nós e vão, outras duram alguns instantes ao nosso lado.

É todo um caminho que percorremos sem dar conta de como lá fomos parar.

São anjos.

Não têm asas, são imperfeitos, mas ainda assim anjos que têm como missão ensinar-nos.

E como tudo nesta vida é um ciclo, um dia também seremos anjos de alguém, também nós podemos ensinar algo maior que nós.

Somos uma ínfima parte de um universo tão vasto e belo.

Somos um exercito da vida...

Somos eternos caminhantes...

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Audácia!


Sinto crescer em mim uma esperança de finalmente sair deste poço onde me afundava.

Sinto crecer em mim a vontade de crescer e soltar amarras.

Sou uma menina a aprender a ser mulher, a dar passos no mundo dos adultos.

É isso que sinto em mim.

Fico espantada com a pessoa que tenho cá dentro, na pessoa que me parece destemida, audaciosa, aventureira, quando o que sinto é sempre medo e insegurança.

Sinto-me com vontade de trincar o mundo!

Sou mesmo eu, ou outra pessoa me habita e me controla?

Serei mesmo capaz de enfrentar o futuro sem baixar a cabeça?

Sinto um orgulho imenso na educação que tive, nos conselhos que recebi e na pessoa que estou a aprender a ser.

Quero ser como eu quando for grande!

domingo, 4 de novembro de 2007

Lembrança


És um mistério para mim.

És profundo como o mar e suave como a brisa.

Tens alegria na voz, tens luz no olhar e melodia nos gestos que fazes. És o meu sonho.

Estás entranhado em mim como os ossos que me sustentam e, ainda assim, estás tão longe!

Sei que em nada és parecido com a imagem que guardo, mas como evitar amar-te assim?

Passo dias sem te lembrar, mas num segundo que vem sem avisar o meu ser enche-se com a tua lembrança, com o teu respirar e eu passo a ser tua.

Sou o ar à tua volta, sou cada átomo que te envolve.

E fico neste torpor durante o tempo de um sonho... até ao acordar.

sábado, 20 de outubro de 2007

Parabéns Rita!


Sê fiel a ti mesma.

Ouve a voz interior que te sussurra.

Sê sincera, verdadeira, leal.

Grita a plenos pulmões a imensa alegria de estar viva.

Sonha, nunca percas a capacidade de sonhar, por mais dura que seja a realidade.

Luta, veste a armadura de guerreira e enfrenta os medos e a escuridão e aprende a despir essa armadura nos momentos de ternura.

Respeita o teu próximo e tem a humildade necessária para aprender com os outros as lições da vida.

Saboreia os dias como um doce, bebe a vida em tragos profundos e deixa-te inebriar com o seu odor.

Nunca deixes que o dia termine sem teres sorrido pelo menos uma vez.

E acima de tudo, ama, ama sem medo, com a inocência da criança e com a sabedoria dos anos.

Sê feliz!

Lembra-te que para perceberes o que é a felicidade terás de experimentar a tristeza. Não te assustes, aceita-a, pois faz parte do ensinamento.

Enfim...

Amo-te, não com a força das palavras, mas com o silêncio dos meus lábios.

Amo-te, não com músicas e letras de outros, mas com o bater do meu coração.

Amo-te... sempre.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Gritar


Há alturas em que sinto uma enorme, imensa e incontrolável vontade de gritar.

Encher os pulmões e expulsar os demónios que trago presos dentro de mim. Como se expirando ruidosamente exorcizasse os sentimentos e mágoas que se alojam na minha alma.

Expressar aquilo que sinto num repente doloroso e cruel, mandar à fava as convenções e tratados de boa educação, ser toda eu num ruído solene, travar em palavras os duelos que travo em mim, de mim, por mim.

Expulsar o drama para alcançar a paz, o sossego, e poder finalmente desfazer este nó perpétuo na minha garganta que me atrofia e impede de viver.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Saltar no vazio


Ter esperança é acreditar.

Acreditar que algo de bom surgirá de toda a trapalhada que é a vida.

Acreditar que tudo tem um sentido, uma razão válida que acalma a ânsia a dúvida.

Acreditar que todos os erros têm solução, que todos os pecados têm perdão, que a seguir a cada lágrima haverá sempre um motivo para sorrir.

Ter esperança é sonhar.

Sonhar com dias melhores, com a subida depois da queda.

Sonhar que sairemos reforçados de toda esta luta diária.

É a esperança que nos dá coragem para levantar cada dia, para enfrentar os obstáculos que nos aguardam a cada esquina.

É ter medo e ainda assim tentar, saltar de braços abertos no vazio, fechar os olhos e esperar pela aterragem.

foto: http://www.flickr.com/photos/marzmyst

Ser humilde


Devemos ser suficientemente pequenos para olhar um céu estrelado e ficar encantados com a sua beleza.

Devemos ser suficientemente pequenos para sentir humildade perante a formiga que carrega o fardo para a colónia.

Devemos ser suficientemente pequenos para que um sorriso de uma criança nos deixe maravilhados com a sua inocência.

Temos de ser suficientemente pequenos para perceber que somos únicos, especiais e tão integrados neste mundo colectivo. Somos dependentes de todos os que nos rodeiam, só existimos se tudo o resto existir.

Sozinhos somos nada.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Matrix style

Acaso vivemos ou somos apenas personagens animadas do sonho de alguém? Temos vida própria ou quem nos guia é um comando superior, sem rosto, sem corpo?
O que vemos é real ou informação implantada em nós para nos permitir acreditar que deveras vivemos e temos uma história?


Provavelmente não existimos, somos desenhos num papel de um artista, rabiscos, simples rascunhos incompletos que, quando não estão bem, são deitados fora. Isso explicaria a inconstância da vida, o ridículo, o absurdo dos momentos.


Temos um objectivo se pertencermos a um enredo. Estamos perdidos à deriva se formos apenas um borrão de tinta na tela, arte contemporânea e abstracta.


Talvez seremos concorrentes forçados e ignorantes num reality-show, presas numa teia bem montada com o único objectivo de ganhar audiência. Quem é o grande Mestre?


Prefiro acreditar no livre arbítrio, acreditar que quando o sol brilha está mesmo a brilhar e que quando chove a água que cai molha e é real.


Vontade de viver


Tenho ainda tanta vontade de viver!

O fracasso parece ser o sabor que trago preso na garganta, junto com o grito que não expulsei.

Mas tenho ainda tanta vontade de viver!

Lentamente sinto-me despegar desta existência, como se uma barreira se erguesse à minha volta.

Vejo os rostos dos outros, os seus lábios moverem-se em conversas banais, mas a voz que escuto é a minha.

Parecem figuras de um filme mudo que deixam de fazer sentido a minha realidade. Estou a ficar fria, endurecido e não é algo que me deixe feliz!

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Falta


Já sentiram que algo falta para nos completar? Algo que trás sentido à vida, que nos enche de uma luz que brilha mais forte?

Já sentiram a falta de algo divino criado para nós? Algo etéreo, sem realidade visível?

Há quem encontre num olhar de um amigo, há quem encontre no conforto das palavras, há quem encontre na solidão consentida.

Há quem encontre num sorriso, num toque, num gesto tímido, há quem encontre num som sublime.

Já sentiram a alegria de quando se encontra aquilo que se procura? Já sentiram o corpo levitar, o coração rebentar de emoção e os olhos encherem-se de um lago de ternura?

Já encontraram o amor?

E quando o encontraram, o que fizeram?

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Morte esperada


Sabor a sal,

a vida transbordante de luz.

Sabor a mel,

a fel doce que amarga meus lábios.

Sabor a flores,

a rosas com espinhos cravados no meu coração.

Sabor a Deus, sabor a infinito,

pedaço de mundo dentro de mim,

pedaço de estrela brilhante que anuncia a tua chegada.

Enfim chegaste!

Tanto tempo que te esperei!

Finalmente vieste ao encontro que marcamos!

Vem, aproxima-te, quero olhar-te nos olhos,

ver se neles ainda se vislumbra o brilho da paz esquecida.

Como esperei a tua chegada!

Dias e dias, sentada nesta velha cadeira que embala os meus sonhos,

contei os minutos, as horas, os dias.

Cada dia sem ti era um renascer tortuoso, uma aurora com raios de sangue.

Agora diante de mim empunhas a tua foice afiada como sinal do teu poder.

Vem junto a mim sussurrar as palavras que esperei ouvir.

Vem, toma o meu corpo cansado e gentilmente,

encaminha a minha alma aos pés do criador.



foto: http://www.flickr.com/photos/giara/315645438/

Sonho


Perdi-te no momento em que te aproximei do céu.

Enamorei-me de uma estrela, eu, um ser da terra.

Desejei um amor impossível. O ar e a terra só se unem na linha do horizonte e essa, em dias de nevoeiro abandona-nos sem piedade.

Voltaste para o firmamento, junto da lua e dos astros, deixaste-me com a minha solidão, saudade dorida que em mim nunca tem fim. Nas noites frias de Inverno as nuvens esconde a tua beleza. Só nas noites de Verão, quando a lua permite, alcoviteira de enamorados, posso ver o teu brilho ao longe.

Porque é que só desejamos aquilo que não podemos ter? Quimeras inalcansáveis, devaneios, enfim, sonhos de poeta louco. Mas creio que o amor é assim: imprevisível, ambicioso, audaz aventureiro que nos impele para o desconhecido. Que seria de mim sem a esperança que me alimenta e trás acesa em mim a vontade de viver? É nesse palco de luz que me perco em ti, na ilusão de que lá longe ainda pensas em mim, que não me esqueceste e que, no fundo no fundo, vives porque eu vivo.

domingo, 26 de agosto de 2007

Outras vidas


Lembro-me de outras vidas que vivi, trago em mim imagens como recortes da vida real, recortes antigos, tão antigos como o começo do mundo.

Fui outrora o sol, a estrela à volta da qual todos giram, hipnotizados pelo seu calor. Irradiei luz, enchi de vida a escuridão do mundo e aqueci todos os corpos que me procuravam. Morri e voltei a nascer. Cada dia morria de novo, para nascer a seguir, senti em cada pedaço do meu ser celeste a força vibrante que impulsiona o universo. Fui Deus para alguns, motivo de medo e admiração para outros. Ninguém me conheceu ao certo.

Fui lua, astro mágico que acompanha a trajectória do planeta azul. Inspirei poetas e amantes, enchi-me de luz e iluminei a noite. Fui palco de paixões, de tragédias, encontros e desencontros. Projectaram em mim o amor e o poder mais profundo do mal, representei a fêmea, a inconstância, o sonho, a loucura escondida. Cada dia morria para nascer de novo. Mais uma vez, ninguém me conheceu ao certo

Fui árvore tosca e densa escondida na floresta. Alimentei-me de solo putrefacto e bebi a luz do sol. Acenei ao mundo os meus ramos, dei-lhe o ar que ele respira. Deixei pousar as aves, dei abrigo aos animais, fui encosto de amantes e arma dos fracos. Sabia de cor a voz do vento que arrasta as tempestades, sabia todas as cores, todos os cheiros e ninguém me julgava viva. Morri uma só vez e o que restou de mim fez nascer as rosas.

Agora sou esta que anda perdida no mundo. Já não irradio calor nem ninguém gira à minha volta, já não ilumino a escuridão nem sou musa de poetas. Fui sol, fui lua e não esqueci. Fui árvore e ainda sei de cor o cheiro da terra, o sabor da chuva e o som do vento. Continuo a ser filha da natureza, parte deste todo que se completa no mapa do meu corpo, sou o elo que une o divino ao real e os torna um só. Sou humana, sou ser viventes, ser com alma, ser que sente, ser que ainda não encontrou o seu lugar.

Pelo menos algo continuará na mesma, algo constante e eterno, serei sempre o corpo morto que fará nascer as rosas.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

O silêncio do tempo


O silêncio instalou-se.

Não há murmúrios ou som, apenas um vazio que ecoa no tempo. O tempo, esse, é uma ampulheta partida: existe mas não se vê passar no meio do caos.

Passeio pela vida como um turista. Não conheço a paisagem, ando às cegas procurando o caminho, vou de encontro aos obstáculos porque não sei como evitá-los.

Vou perder-me enquanto conheço paragens novas, caras novas. Vou andando até cair para o lado de exaustão ou tédio.




terça-feira, 21 de agosto de 2007

Procuro




Procuro uns olhos que vejam no mais profundo do meu ser.

Procuro uns braços que me prendam junto ao peito e acalmem as minhas ânsias.

Procuro uns lábios que se curvem num sorriso quando estou perto, que sussurrem palavras quentes ao meu ouvido.

Procuro uma voz que ecoe dentro de mim e me faça tremer até aos ossos, uma voz que me leve até ao céu.

Procuro um ser que me assalte por inteiro e que retire de mim o amor que guardo. Alguém que se entranhe na minha pele como odor acre, como suor salgado escorrendo no meu corpo.

Procuro uma alma que conheça a minha de outras vidas e sonhos, que complete a minha num laço firme de nó cego.

Quero esvaziar o meu coração até à última gota de amor, morrer com ele seco mas feliz.

Quero terminar os meus dias a escrever as memórias e não os lamentos de emoções que não vivi.

Quero colocar num local inantigível os medos que trago como farpa cravada no meu peito e esquecê-los. Sim, porque o esquecimento vota à inexistência aquilo que é perecível ou imortal.

A distância entre a felicidade e a amargura é um passo de formiga que um gigante apaga só com um sopro.

foto: http://www.flickr.com/photos/marcotedeschi/413823973/